Com o perdão do trocadilho

Geninho é um gênio. Independentemente do resultado final, mas somente pelo fato de oferecer competitividade e perspectiva de manutenção na Série A a este elenco do Náutico. A tarefa, convenhamos, compete aos extraordinários. Senão, vejamos: Glédson - Quem era há pouco mais de um mês? Patrick - Reserva do Brasiliense nas últimas temporadas. Vágner - Zagueiro baixo e irregular. Asprilla - Típico "zagueiro de usina". Michel - Apenas dá pro gasto. Derley - Pau de dar em doido. Jhonny - Corre mais errado do que Ciro. Anderson Santana - Quase foi dispensado. Juliano - Torcida nunca engoliu. Carlinhos Bala - Uma boa e três ruins. Gilmar - Esse joga futebol. Reservas - Melhor nem citar. Como se vê, o papel de Geninho talvez nem mesmo a saudosa atriz Barbara Eden conseguiria desempenhar com desenvoltura.
Escrito por Rafael Carvalheira às 12h28
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Frase

"A confiança no outro é sempre uma confiança cega" Lídia Aratangy (psicoterapeuta)
Escrito por Rafael Carvalheira às 11h41
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Pipoca

A pipoca virou trivial. Não surpreende mais a ninguém. Gostaria de presenciar protestos mais apetitosos. Por que não variar o cardápio nos aeroportos Brasil afora? A cartilha de Marisa Monte, por exemplo, é bem sortida: Jujuba, bananada, pipoca/Cocada, queijadinha, sorvete/Chiclete, sundae de chocolate. Paçoca, mariola, quindim/Frumelo, doce de abóbora com coco/Bala juquinha, algodão doce e manjar. (trecho da letra de Não é proibido) Tiraria, inclusive, um pouco do ranço da palavra protesto. Em vez dos palavrões e xingamentos chulos, cartas abertas de Ariano Suassuna, no caso do Sport. Os dirigentes ficariam até constrangidos em arranjar saída de emergência para desovar os jogadores sem o confronto com os torcedores. Mas então também seria necessária a substituição dos “protestantes”. Que tal cidadãos comuns, realmente amantes dos seus times e comprometidos com o bem-estar do clube. Não os maloqueiros de sempre, massa de manobra de uns e outros “nobres oposicionistas”. A voz da arquibancada localizada atrás da barra da sede rubro-negra raramente entra em sintonia com os outros setores da Ilha do Retiro. Bem lembro de 2004, quando o time estava infinitamente pior que hoje. Caminhava em desabalada carreira para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Os amarelinhos ensaiaram um grito parecido ao da faixa exposta na última terça-feira. De diferente, o nível citado. “(...) desse jeito vai cair pra Série C.” A musiquinha ecoou com o mesmo efeito de uma faísca num armazém de fogos de artifício. Arquibancadas frontal e do placar, sociais, cadeiras cativas, curva do Wanderson e camarotes repreenderam: “Ei, Jovem, vai tomar no c...!”. Os “maloqueiros” ainda saíram debaixo de pau. A Polícia Militar aproveitou para arriar o cacete em quem estivesse de amarelo. A torcida, aquela de verdade, concedeu apenas apoio. A história está prestes a se repetir no domingo. Naquela temporada, o Sport se livrou do rebaixamento, assim como em 2005. Os amarelinhos seguiram comparecendo subsidiados pela política de pão e circo de ingressos de graça do governo do Estado, que se repete desde a última administração de Miguel Arraes. Comemoraram uma ascensão à Série A, o tetracampeonato estadual, a Copa do Brasil e a campanha na Libertadores. Tem um amigo meu que diz: “Bom no bom é bom demais”. No primeiro momento de desacerto, jogam ídolos como Magrão e Durval, por exemplo, na vala comum. Mas o que esperar de quem assalta e espanca torcedores do Sport na saída dos jogos? O clube – não se trata apenas do time – recomeça o seu trajeto contra o São Paulo. Solta Marisa Monte na vitrola novamente: Venha pra cá, venha comigo/A hora é pra já, não é proibido/Vou te contar: tá divertido, Pode chegar! Vai ser nesse fim de semana/Manda um e-mail para a Joana vir/Não precisa bancar o bacana/Fala para o Peixoto chegar aí! Traz todo mundo, tá convidado, é só chegar/Traz toda a gente, tá liberado, é pra dançar/Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
Escrito por Rafael Carvalheira às 12h36
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Cinco meses

Mais que o tempo de uma licença maternidade. Suficiente para cumprir o básico de um curso de línguas ministrado pelo Senac. Equivalente à metade de um ano letivo. Mais tempo em relação ao período que comporta um Campeonato Estadual. Necessário para aprender a dirigir e ainda tirar carteira – malditas aulas teóricas. O dobro do tempo que rendem campanhas eleitorais. Semelhante ao período de recuperação de uma cirurgia de ligamentos no joelho. Passam mais lento que a construção do Carrefour de Boa Viagem – haja dinheiro. Foi o tempo necessário para investigar e afastar Fernando Collor da presidência. No Brasil constitui vínculo empregatício de qualquer prestador de serviço. Phileas Fogg consumiu metade deste tempo para dar a volta ao mundo na caneta de Júlio Verne. A maior greve da história do Brasil durou cinco meses e meio. É o tempo de gestação das ovelhas. Sete presidentes ou juntas presidenciais brasileiras permaneceram menos de cinco meses no poder... Infinitas outras coisas podem ser feitas em cinco meses. Não é mesmo, FBC?
Escrito por Rafael Carvalheira às 16h00
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