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Carvalheirando


Com o perdão do trocadilho

Geninho é um gênio. Independentemente do resultado final, mas somente pelo fato de oferecer competitividade e perspectiva de manutenção na Série A a este elenco do Náutico. A tarefa, convenhamos, compete aos extraordinários. Senão, vejamos:

Glédson - Quem era há pouco mais de um mês?
Patrick - Reserva do Brasiliense nas últimas temporadas.
Vágner - Zagueiro baixo e irregular.
Asprilla - Típico "zagueiro de usina".
Michel - Apenas dá pro gasto.
Derley - Pau de dar em doido.
Jhonny - Corre mais errado do que Ciro.
Anderson Santana - Quase foi dispensado.
Juliano - Torcida nunca engoliu.
Carlinhos Bala - Uma boa e três ruins.
Gilmar - Esse joga futebol.
Reservas - Melhor nem citar.

Como se vê, o papel de Geninho talvez nem mesmo a saudosa atriz Barbara Eden conseguiria desempenhar com desenvoltura.



Escrito por Rafael Carvalheira às 12h28
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Frase

"A confiança no outro é sempre uma confiança cega"
Lídia Aratangy (psicoterapeuta)



Escrito por Rafael Carvalheira às 11h41
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Pipoca

A pipoca virou trivial. Não surpreende mais a ninguém. Gostaria de presenciar protestos mais apetitosos. Por que não variar o cardápio nos aeroportos Brasil afora?

A cartilha de Marisa Monte, por exemplo, é bem sortida: Jujuba, bananada, pipoca/Cocada, queijadinha, sorvete/Chiclete, sundae de chocolate. Paçoca, mariola, quindim/Frumelo, doce de abóbora com coco/Bala juquinha, algodão doce e manjar. (trecho da letra de Não é proibido)

Tiraria, inclusive, um pouco do ranço da palavra protesto. Em vez dos palavrões e xingamentos chulos, cartas abertas de Ariano Suassuna, no caso do Sport. Os dirigentes ficariam até constrangidos em arranjar saída de emergência para desovar os jogadores sem o confronto com os torcedores.

Mas então também seria necessária a substituição dos “protestantes”. Que tal cidadãos comuns, realmente amantes dos seus times e comprometidos com o bem-estar do clube. Não os maloqueiros de sempre, massa de manobra de uns e outros “nobres oposicionistas”.

A voz da arquibancada localizada atrás da barra da sede rubro-negra raramente entra em sintonia com os outros setores da Ilha do Retiro.

Bem lembro de 2004, quando o time estava infinitamente pior que hoje. Caminhava em desabalada carreira para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.

Os amarelinhos ensaiaram um grito parecido ao da faixa exposta na última terça-feira. De diferente, o nível citado. “(...) desse jeito vai cair pra Série C.”

A musiquinha ecoou com o mesmo efeito de uma faísca num armazém de fogos de artifício. Arquibancadas frontal e do placar, sociais, cadeiras cativas, curva do Wanderson e camarotes repreenderam: “Ei, Jovem, vai tomar no c...!”.

Os “maloqueiros” ainda saíram debaixo de pau. A Polícia Militar aproveitou para arriar o cacete em quem estivesse de amarelo. A torcida, aquela de verdade, concedeu apenas apoio. A história está prestes a se repetir no domingo.

Naquela temporada, o Sport se livrou do rebaixamento, assim como em 2005. Os amarelinhos seguiram comparecendo subsidiados pela política de pão e circo de ingressos de graça do governo do Estado, que se repete desde a última administração de Miguel Arraes.

Comemoraram uma ascensão à Série A, o tetracampeonato estadual, a Copa do Brasil e a campanha na Libertadores. Tem um amigo meu que diz: “Bom no bom é bom demais”.

No primeiro momento de desacerto, jogam ídolos como Magrão e Durval, por exemplo, na vala comum. Mas o que esperar de quem assalta e espanca torcedores do Sport na saída dos jogos?

O clube – não se trata apenas do time – recomeça o seu trajeto contra o São Paulo. Solta Marisa Monte na vitrola novamente:

Venha pra cá, venha comigo/A hora é pra já, não é proibido/Vou te contar: tá divertido, Pode chegar!

Vai ser nesse fim de semana/Manda um e-mail para a Joana vir/Não precisa bancar o bacana/Fala para o Peixoto chegar aí!

Traz todo mundo, tá convidado, é só chegar/Traz toda a gente, tá liberado, é pra dançar/Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!



Escrito por Rafael Carvalheira às 12h36
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Cinco meses

A Volta ao Mundo Em Oitenta Dias - Verne, Julio (8533901569)

Mais que o tempo de uma licença maternidade.

Suficiente para cumprir o básico de um curso de línguas ministrado pelo Senac.

Equivalente à metade de um ano letivo.

Mais tempo em relação ao período que comporta um Campeonato Estadual.

Necessário para aprender a dirigir e ainda tirar carteira – malditas aulas teóricas.

O dobro do tempo que rendem campanhas eleitorais.

Semelhante ao período de recuperação de uma cirurgia de ligamentos no joelho.

Passam mais lento que a construção do Carrefour de Boa Viagem – haja dinheiro.

Foi o tempo necessário para investigar e afastar Fernando Collor da presidência.

No Brasil constitui vínculo empregatício de qualquer prestador de serviço.

Phileas Fogg consumiu metade deste tempo para dar a volta ao mundo na caneta de Júlio Verne.

A maior greve da história do Brasil durou cinco meses e meio.

É o tempo de gestação das ovelhas.

Sete presidentes ou juntas presidenciais brasileiras permaneceram menos de cinco meses no poder...

Infinitas outras coisas podem ser feitas em cinco meses.

Não é mesmo, FBC?



Escrito por Rafael Carvalheira às 16h00
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Pinoquismo agudo

As autoridades sanitárias brasileiras estão preocupadíssimas. E não se trata da disseminação da gripe suína. Há uma epidemia ainda mais perigosa assustando a população. O vírus transmissor do pinoquismo agudo já extrapolou as barreiras do Congresso Nacional. Está estabelecendo moradia no organismo de personalidades relevantes do esporte nacional.

O mais novo hospedeiro da doença é o técnico da seleção brasileira de atletismo Jayme Netto Júnior. O treinador esteve presente em cinco Mundiais e dez Olimpíadas. Comandou o bem sucedido revezamento masculino dos 4x100m em dois Jogos Olímpicos. Medalhou prata e bronze. Treinador da equipe Rede, uma das mais importantes do País. Experiência a dar com o pau.

Vem agora afirmar, a uma semana do início do Mundial de Berlim, que desconhecia o doping de seis atletas seus pela manipulação da substância EPO, uma das maiores propulsoras e mais utilizadas para o doping genético. Todos foram pegos após um exame surpresa realizado em São Paulo pela Federação Internacional de Atletismo. A negligência é proporcional a de um pai que permite a ingestão indiscriminada de açúcar a um filho diabético.

Diante do rigor das fiscalizações e divulgação constante das substância proibidas, é inimaginável acreditar que um dos profissionais mais gabaritados do atletismo mundial desconheça os efeitos da EPO. Outra hipótese seria a de que Jayme Netto confunda a imprensa e o público com descendentes de Gepeto. Um bom carpinteiro que faz vista grossa para as mentiras do filho.

A fórmula é muito fácil. O exemplo de José Sarney está aí para todo mundo ver. O cidadão tira proveito burlando um regulamento. Quando pego, diz que desconhecia o mal provocado por tal atitude. Faz uma carinha de santo e chora em frente às câmeras. É absolvido ou recebe uma punição de fachada. Pouco tempo depois retorna esquecido pela população e repete o comportamento.

A Copa do Mundo é logo ali. A promessa antes da confirmação do Brasil como sede era de que não haveria o envolvimento de verba pública para a construção de estádios. Ontem Ricardo Teixeira já admitiu a utilização do nosso dinheiro para cumprir o seu projeto de poder. A tendência no final das contas é que a maior fatia do financiamento seja de prefeituras e governos.

Não há mais indignação popular, as pessoas estão anestesiadas. Engolem as lorotas com a mesma naturalidade com que bebem água. Não as culpo. As investigações e processos públicos são arquivados na cara de pau, não é mesmo, senador Paulo Duque (PMDB-RJ)? Proponho que o cidadão brasileiro assuma de uma vez a condição de Gepeto.

Cada um que monte o seu próprio Pinóquio e crie o boneco dentro das novas normas de convivência social do País. A mentira em larga escala, assim como o futebol e o carnaval, será daqui por diante divulgada mundo afora em propagandas de pacotes turísticos como uma das principais manifestações culturais dos Brasileiros. Meu nariz já é grande mesmo. Não vejo problema se crescer um pouquinho mais.



Escrito por Rafael Carvalheira às 16h28
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Pôquer

Numa cobertura em Ipanema, Romário acendeu o quarto charuto por volta das 3h da madrugada. Raspou os companheiros na última mão de pôquer cinco minutos antes. Ronaldo Fenômeno tragava o gole derradeiro da terceira garrafa de Jack Daniels. Robinho estava no banheiro, enquanto Ronaldinho Gaúcho revisava o extrato de uma das suas contas bancárias.

Sem mais para apostar naquela noite, levado pela embriaguez, o Fenômeno propôs que os quatro colocassem sobre a mesa riquezas subjetivas. Na falta de dinheiro, estavam em jogo dali para frente as características e feitos individuais de cada um. A televisão ligada na ESPN Brasil, a meio volume, reprisava o noticiário esportivo da noite anterior.

O próprio gorducho iniciou a rodada relembrando as três recuperações milagrosas. Orgulhava-se da capacidade de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Deu ênfase, ainda, às arrancadas fulminantes, principalmente quando estava no Barcelona. Fechou com os 15 gols em Copas do Mundo, um recorde que talvez jamais seja igualado.

Com a dicção confusa, resultado do álcool, Robinho engatou o companheiro se gabando das oito pedaladas para cima de Rogério na final do Campeonato Brasileiro de 2002, da capacidade de driblar adversários no espaço de um lenço e da atuação individual espetacular na Copa América de 2007. Segue até hoje como a venda mais cara da história do futebol brasileiro.

Ronaldinho Gaúcho não deixou por menos, apoiado nos dois anos espetaculares pelo Barça. Habilidade mágica com a bola nos pés, pensamento rápido e malabarismo objetivo. Plasticamente, responsável por vários dos lances mais encantadores já vistos, em todas as épocas. Merecedor de elogios rasgados de Maradona e grande ídolo do impressionante Messi.

A mesa girou e desaguou em Romário. O baixinho, obviamente, iniciou pela Copa do Mundo de 1994. Sua obra-prima. Mandou soltar e prender nos Estados Unidos. O atacante com o maior senso de colocação dentro da área. Autor de mais de mil gols na carreira. Desafiou os zagueiros até os 40 anos, tamanha era superioridade exercida sobre os brutamontes.

Quase meia hora depois, com os lances à mesa, Rivaldo acorda repentinamente. Avesso a jogos de azar, o craque da Copa do Mundo de 2002 estava cochilando no sofá, alheio ao que se passava na banca de apostas. Alertou o quarteto para o programa que acabara de começar na ESPN Brasil. Pediu autorização de Romário para aumentar o volume.

O documentário repassava a limpo a carreira esportiva de Pelé. Mestre como marcador, passador, driblador e finalizador. Perfeito fisicamente, taticamente e tecnicamente. Sabia até apelar para a catimba quando necessário. Campeão do mundo três vezes pela Seleção e duas pelo Santos. Prezava pelo profissionalismo típico dos europeus, mesmo nas décadas de 1950, 60 e 70.

Imortalizou a camisa 10. Balançou as redes 1.284 vezes. Interrompeu momentaneamente até uma guerra na África para desfilar suas qualidades. Eleito melhor jogador e atleta do século passado por jornalistas, Comitê Olímpico Internacional, companheiros de profissão e, por fim, pela Fifa. Personalidade do mundo.

O filme terminava com um gol marcado pelo Rei na final da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Misturada aos créditos, a imagem do menino de 17 anos matando a bola no peito dentro da área, chapelando o zagueiro sueco, inclusive escapando de um atentado ao seu joelho direito, e encaçapando no canto direito do goleiro.

Cinco minutos de silêncio. Romário, Ronaldo Fenômeno, Robinho e Ronaldinho Gaúcho decidiram que na segunda-feira seguinte cada um deles disponibilizaria o triplo do cacife estabelecido até então. Medida de precaução apropriada. Justamente na outra semana a ESPN Brasil relembraria os feitos de uma tal Mané.



Escrito por Rafael Carvalheira às 16h24
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Palavrões, bananas e dedadas

Vamos falar com sinceridade. Torcedor de futebol é na verdade muito chato, beirando o insuportável. O desabafo de Léo Moura contra a torcida do Flamengo foi bem pregado. Mais engraçado é constatar que os “coitadinhos” se doeram todos com algumas palavrinhas mais duras.

Vamos ao objeto do comentário: “Vão tomar no c..., cambada de filho da p..., vão se f...”. Digamos que o desabafo após o gol não compensou em 0,000001% o que Léo Moura já deve ter escutado desde o início da carreira, passando por Fluminense, São Paulo e Palmeiras, por exemplo.

Nunca gostei muito do futebol de Léo Moura, mas o fato é que ele foi eleito o melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro nas duas últimas temporadas. Chegou à Seleção Brasileira e não é nem de perto um dos piores jogadores do elenco do Flamengo, nunca o vi fazer corpo mole.

Como os flamenguistas, outras dezenas de jogadores já se viraram contra a própria torcida. No meio do jogo, após um gol, durante uma substituição, em entrevista coletiva. Palavrões, bananas, dedadas. Teve gente até arriando o calção para as arquibancadas.

O torcedor pensa que é soberano. Pode esculhambar, vaiar, xingar todo mundo, mas não quer receber o troco. “Ai, meu Deus do Céu. Léo Moura está desrespeitando a imensa história de glórias do Flamengo. Uma torcida inigualável. Blá, blá, blá, blá, blá, blá...”

Não tem nada disso. Léo Moura apenas respondeu de forma direta a uma cambada de filho da p... da torcida organizada Raça Rubro-Negra que apoia ou deixa de apoiar ao sabor das injeções financeiras, ou falta delas, repassadas pelos próprios jogadores e/ou diretores, obviamente sob ameaça.

Uma confusão com torcedores nas Laranjeiras terminou em tiros recentemente. Romário já havia inclusive trocado tapas no mesmo Fluminense. Richarlyson é xingado de veado sistematicamente pelos são-paulinos. Ciro perdeu a cabeça com um grupo de filhinhos de papai.

Não faltam episódios com pipoca, galinhas, ovadas, agressões em aeroportos, vaias descabidas, até “moedadas”. Estou com Léo Moura e qualquer outro jogador que seja agredido e responda à mesma altura a essa “cambada de filho da p...”



Escrito por Rafael Carvalheira às 14h46
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Velha fofoqueira

Uma das modalidades preferidas entre as pessoas envolvidas com o futebol, diga-se de passagem uma característica mundial, é o famigerado leva e traz. O noticiário corriqueiramente se assemelha a conversas de uma velha fofoqueira. Assuntos que não “infloem” nem “contriboem” viram até manchete.

O noticiário sobre o Sport hoje no Aqui PE é um exemplo bem acabado disso: “Sílvio Guimarães diz que Leão está gagá”. Bem grande, em três quartos de página. A derrota para o Cruzeiro em Minas Gerais mereceu um quase roda-pé ofuscado pela gripe suína de Sandra Annemberg.

Leão também foi consultado no final da manhã pelo programa esportivo da JC/CBN, mais precisamente pelo radialista Ralf de Carvalho, sobre como se sentia com as declarações do presidente do Sport. Macaco velho, o treinador, dispensado sem maiores constrangimentos, levou na brincadeira.

Na verdade o treinador já havia conversado com o próprio Sílvio Guimarães sobre o ocorrido, provavelmente às gargalhadas ao telefone. Uma dessas velhas fofoqueiras fez o serviço de leva e traz. Assunto relevante para alguns componentes da mídia; piada para os protagonistas do episódio.

As lavadeiras de plantão também entraram em ação no Náutico nos últimos dias. Dá para explicar como um desentendimento entre dois jogadores dentro da sala de um hotel, a poucas horas do início de um jogo importante e com direito a agressões físicas, vazou minutos depois de ter acontecido?

Com a proliferação das dezenas de sites de torcedores e blogs, então, a fofocaiada virou uma febre. Antes da derrota para o Sergipe, recentemente o Blog do Santinha divulgou irresponsavelmente a suposta existência de um grande complô por parte dos jogadores para derrubar o técnico Sérgio China.

As discussões recorrentes de Guilherme Beltrão com Vanderlei Luxemburgo via imprensa – jornais, rádios, internet, tv... – entraram para os anais. Quem não se esbaldou com os capítulos diários da novela? Até Plano Cruzado, inadimplência condominial e acusação por assédio sexual ganharam evidência.

Os estudiosos costumam entender o futebol como uma representação da sociedade em menor escala. Na era das celebridades, da invasão de privacidade a torto e a direito, interesse exacerbado na vida dos vizinhos, nada mais natural portanto que a valorização das velhas fofoqueiras também no futebol.



Escrito por Rafael Carvalheira às 16h01
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Circo

Circo da Fórmula 1 nunca foi uma expressão tão apropriada para a principal categoria do automobilismo mundial quanto nas últimas três temporadas; precisamente a partir do anúncio da aposentadoria do fenômeno Michael Schumacher.

Com o alemão também foram os últimos resquícios de glamour. As corridas, com ou sem o heptacampeão, já não seduziam ninguém além dos poucos fanáticos. Muito menos os pilotos que sobraram eram figuras interessantes e de apelo internacional.

A categoria indubitavelmente perdeu encanto, consequentemente espaço na mídia e belas cotas de patrocínio. Vem cambaleante. Explorada mais por factóides e escândalos do que propriamente pela competição. Esta já não existe.

Em 2007 as atenções estavam voltadas para o caso de espionagem industrial envolvendo as duas principais escuderias. Também “inventaram” um piloto negro, bem novinho, para oferecer um frescor ao noticiário. De supetão, alguém lembra o campeão?

Na temporada seguinte explodiram “sem querer” o caso da suruba nazista do presidente da Federação Internacional de Automobilismo. Max Mosley foi pego com prostitutas trajadas com uniformes alusivos aos do exército de Adolf Hitler. Rapidamente, qual foi a melhor escuderia?

Este ano, então, vem sendo uma festa. Em fevereiro “escapou” a polêmica em torno de artifícios aerodinâmicos irregulares. Deixaram equipes pequenas dispararem pra maquiar o desequilíbrio. Depois vieram especulações acerca de um suposto final da categoria.

Foi um tal de chororô, gritaria, escândalo. A imprensa especializada manteve-se alimentada pelos factóides. A Rede Globo, obviamente, não ficou de fora, afinal precisa manter o interesse do público. Pagou milhões por exclusividade no Brasil até 2014.

A mais nova coqueluche é o olho esquerdo de Felipe Massa. O coitado não pode sequer se recuperar em paz. Jamais correu risco de morrer. Nem sequer em coma entrou. Vivia um processo natural de recomposição. Mas o hospital militar de Budapeste parecia a casa do BBB.

Até o médico do GP do Brasil convenceram os familiares a chamar para colher informações com facilidade. Obviamente os médicos húngaros estavam pouco se importando se alguém precisava preencher a grade de programação destrinchando o olho do rapaz.

Apelos baratos de prece da esposa. Também se aproveitaram do estado de apreensão da coitada. Massa falou, virou notícia. Massa fez xixi, virou notícia. Massa sentiu fome, virou notícia. Massa cortou as unhas, virou notícia. Pintou os cabelos, virou notícia.

Galvão Bueno de plantão na frente do hospital se assemelhava àquelas velhinhas que ficam zanzando pelo Cemitério de Santo Amaro procurando velórios. Alguém por acaso pode me informar qual foi o pódio completo do GP da Hungria?

Massa vai deixar o hospital, sairá do foco. Abatido pelo tratamento e sugado pela mídia. Mas o circo não pode parar. Já estão inventando agora o retorno de Schumacher para substituir o brasileiro até o fim da temporada. E haja factóide para sustentar uma competição falida.



Escrito por Rafael Carvalheira às 12h26
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Equação

A janela chega todo semestre. Sempre com data para começar e terminar. Em janeiro, aparece de forma mais branda. Em agosto, passa como uma tempestade. Arrasta o que interessa e se despede sem deixar contrapartida.

Keirrison, Nilmar, Douglas, André Santos, Cristian, Ramirez e outra penca já saíram. Ciro, Neimar, Dentinho, Hernanes e companhia são os próximos alvos da janela. Há um certo fingimento em torno dela. Um comportamento maquiado.

No fundo, no fundo, a janela funciona como uma espécie de tábua de salvação. Os dirigentes levantam as mãos para os céus com as vendas. Os empresários lucram os tubos. Os jogadores sonham em atuar no futebol estrangeiro.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também fecha os olhos para o problema. O valor cobrado pela entidade por uma apresentação amistosa da Seleção Brasileira é diretamente proporcional à valorização dos convocados.

Na Estônia, por exemplo, os cartazes de divulgação do confronto amistoso no país contra o Brasil estampam um desenho estilizado de Ronaldinho Gaúcho, embora o dentucinho esteja fora das convocações de Dunga há um bom tempo.

Os torcedores são os únicos, de fato, afligidos com o êxodo. Raramente curtem os ídolos por mais de uma temporada, o que causa falta de identificação com os times locais. As crianças curtem Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Milan...

O Internacional, decantado como um dos clubes mais organizados da América Latina, executa o planejamento anual com a previsão de venda de pelo menos um peso-pesado. Partiram Daniel Carvalho, Rafael Sóbis, Alexandre Pato, Bolívar, Tinga, Fernandão e Nilmar pela segunda vez.

O Sport no momento não quer saber de Libertadores da América ou Sul-Americana. Mais importante é Ciro estourar no Mundial Sub-20 e render pelo menos duas temporadas de sanidade financeira aos rubro-negros, além de um centro de treinamentos.

Alguns conceitos já foram deturpados. Basta conferir a declaração recente do diretor do Corinthians Mário Gobbi: “Futebol nada mais é do que business. Alguns já saíram, outros vão sair, e vamos repor as peças com muito cuidado”.

De acordo com a premissa de Gobbi, podemos concluir que as mais variadas competições são vistas exclusivamente como vitrines. Torcedores comemoram títulos. Dirigentes, empresários e jogadores comemoram transações lucrativas.

A equação é a seguinte:
Taça = festa da torcida pelo título + festa dos dirigentes com possibilidade de lucro + empresários animados com a previsão de lucro ao quadrado + jogadores com mais chances de fazer a independência financeira no exterior.



Escrito por Rafael Carvalheira às 15h21
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Cabo eleitoral

Fernando Bezerra Coelho e Marco Maciel no Santa Cruz

 O time estava prontinho, arrumadinho depois do Estadual. Fernando Bezerra Coelho mudou o treinador e perdeu os melhores jogadores. Mas não tem culpa. O clube está afundado em dívidas há 50 anos e sem receitas.

O brasileiro tem memória curta. Ninguém se recorda que o projeto era arrecadar R$ 25 milhões com um fundo de investimentos. Simples assim. Tudo aprovado pelo Conselho. Infelizmente a crise mundial, essa danada, adiou o milagre.

O Santa Cruz perdeu o competente diretor de futebol Ruas Capella. Fernando Bezerra Coelho não tem culpa. Já disse pra todo mundo que o clube não tem dinheiro. Garantiu trazer alguém tão bom quanto e mais barato.

Não deu pra contratar Didi Duarte para a gerência de futebol. Deixemos o conselheiro Nevton Borba como interino e completamos o setor com, com, com... Mas a culpa não é do secretário de Desenvolvimento Econômico. Não há receita, minha gente.

FBC mostrou ser também um descobridor de talentos. Trouxe o promissor Sérgio China para a única missão inadiável do Santa Cruz em 95 anos de história. E sempre me disseram que ele só entendia de administração. Quanta inveja.

Na estreia, o presidente estava lá em Maceió. Deu volta olímpica no gramado ao lado do governador de Alagoas. Esse homem descobriu a fórmula de fazer futebol. Era tão fácil e ninguém havia pensado nisso. Ave, FBC!

As coisas começaram a não andar. Mas a culpa não é de Bezerra Coelho. Ninguém leu a carta? É um tricolor como qualquer outro. Está ferido como qualquer outro. São os jogadores e o treinador que não correspondem à grandeza da torcida.

Derrota para o Sergipe em casa é demais. Mas a culpa não é de dele. Como podia influenciar se estava tão longe. Dos Estados Unidos, justamente na competição mais importante da história tricolor, não tinha como oferecer suporte. Esse homem é muito ocupado.

O clube está afundado em dívidas, não há receitas, os diretores são inexperientes, o treinador também, o time não funciona, os salários dos funcionários estão com três meses de atraso. Isso é coisa de Zé Neves, Romerito e Edinho.

O presidente não tem culpa se as coisas não funcionam no seu clube. Quem botou esses incompetentes lá? Pelo amor de Deus. Esses amadores querem acabar com a imagem de Fernando Bezerra Coelho. É um complô. Só pode ser.

Peço que se lembrem da linda reforma do Arruda, da festa no jogo da seleção brasileira, de como FBC ama essa torcida e faz tudo por ela. Reergueu a auto-estima de ser tricolor. Por favor, lembrem disso. O resto é supérfluo.

Ele vai provar pra todo mundo a sua capacidade de administrar. Vamos, imensa torcida coral, a maior do Nordeste e mais apaixonada do Brasil. Vote em FBC para o Senado. Quando for empossado senador em 2011, mostrará toda sua habilidade. Prometo.



Escrito por Rafael Carvalheira às 11h58
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A enésima arte

A relação entre futebol e cinema está longe de ser estreita. Poucas produções cinematográficas exploram o assunto. Quando o fazem, a qualidade é sempre discutível. Vez por outra aparece um Boleiros.

Algumas poucas biografias se sobressaem. Rapidamente, lembro-me apenas de Pelé Eterno, que, aliás, se restringe essencialmente à carreira profissional do Rei.

Diretores são especialistas em manipular sensações, provocar tristeza, catarse, asco, resignação, temor... O desenvolvimento natural das técnicas amplia as possibilidades ano a ano.

Talvez aí esteja a explicação para as dificuldades de reprodução nas telonas do que acontece em quatro linhas. O futebol não se permite ser manipulado.

As experiências vividas dentro de um estádio ou mesmo em frente à TV são próprias do futebol. Como escrever um roteiro e depois gravar algo semelhante à Batalha dos Aflitos?

Impossível não somente do ponto de vista técnico, mas também de uniformidade sentimental. Os gremistas sentiram de um jeito; os alvirrubros, de outro. Restou a opção por um documentário.

E assim vieram em seguida os relatos jornalísticos da ascensão do Náutico à Primeira Divisão no ano seguinte, do título do Sport da Copa do Brasil e da história de queda e redenção do Corinthians.

Sendo assim, defendo a incorporação do futebol ao mundo das artes. O que não pode ser reproduzido já está muito acabado por si só. O cinema viveu processo semelhante no começo do século passado.

Convenhamos, hoje em dia – eita, termo desgastado – até história em quadrinhos e jogos de computadores ganharam o status honroso de manifestações artísticas, alçados a um pedestal cult.

Não falo apenas do que se convencionou chamar de futebol-arte. É qualquer tipo de futebol mesmo. Aquele jogado nos estádios mais modernos do planeta, mas também o disputado na praia enquanto o mar não enche.

Esqueçam o meio e tudo o que envolve uma partida: dirigentes, maracutaias, negócios, interesses e o que de mais existe. Atanham-se ao jogo. No máximo, incluam a torcida no pacote.

Qualquer torcedor já chorou, sorriu, festejou, lamentou, se espantou, gritou o que não devia, abraçou quem não conhece. Sentiu até vontade de matar, mesmo de forma simbólica.

Não se pode pintar com uma câmera, montar um filme no palco, encenar uma peça num livro, escrever uma escultura, esculpir uma música, tocar piano dançando balé ou dar movimentos de dança a uma Mona Lisa.

Não dá para reproduzir uma partida nas telas do cinema. Defendo a incorporação do futebol ao mundo das artes. Seja ele a oitava, nona, décima, vigésima ou enésima arte.



Escrito por Rafael Carvalheira às 15h10
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O homem sem cabeça

Cirque du Soleil Quidam

Já estava de saída da sessão de ontem do Cirque du Soleil. Como chovia demais, resolvi esperar um pouco embaixo das tendas. Outras pessoas, sobretudo algumas mulheres bem escovadas, tiveram a mesma ideia. Sujeito sem sorte que sou, percebo uma figura encostar para puxar assunto.

Era o poço de simpatia Givanildo Oliveira.O técnico do América-MG aproveitou uma folga na tabela da Série C do Brasileiro e fez um agrado à netinha mais velha.

Para meu espanto, o homem não estava tão rançoso como de costume. Obviamente reclamou dos preços. Em duas horas, gastou R$ 15 para estacionar o carro, R$ 26 de duas pipocas, R$ 8 de um cachorro quente e mais R$ 10 com dois refrigerantes.

Sem contar o valor dos ingressos. Por descrição, não perguntei. Nada, porém, que faça cócegas no bolso de um proprietário de mais de 40 apartamentos na cidade de Olinda.

Fez associações interessantes sobre o espetáculo Quidam. Comparou quatro malabaristas chinesinhas bem entrosadas à linha de ataque Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. “Se meus jogadores se entendessem tão bem, seríamos campeões mundiais”.

Não dá pra pedir que um cara que vive o futebol desde os tempos de criança se desligue da profissão. “Outra coisa, o preparador físico desse povo todo aí coloca qualquer Paulo Paixão no chinelo”.

Givanildo relembrou a qualidade dos músicos, o poder de improvisação dos palhaços, o desprendimento de algumas pessoas da plateia convidadas para fazer parte de dois quadros, a capacidade cênica, a beleza dos figurinos e das maquiagens, a criatividade dos números, a versatilidade da equipe inteira do espetáculo.

“É isso que todo treinador quer: jogadores que possam fazer mais de uma função em campo”.

A chuva havia diminuído, mas não o suficiente para me fazer buscar o carro. Se bem que, surpreendentemente, o papo estava agradável. Uma rápida parada no assunto. A netinha pedia mais uma pipoca para o avô. “Onde nós estávamos mesmo?”.

No final do espetáculo, Givanildo. A menininha reconquista a atenção dos pais. A vida real volta com seus encantos. O mundo da fantasia já cumpriu seu papel. Givanildo confessa até ter chorado.

A chuva havia parado. Estava me despedindo com uma imagem até simpática. “Já tô juntando dinheiro pro ano que vem. Aquele homem sem cabeça me deixou irritado. Pensei que ele ia tirar a fantasia e mostrar o rosto no final. Se ele voltar, ninguém me segura. Vou subir no palco pra descobrir onde miserável enfia a cabeça”.

O velho e bom Givanildo tinha reencarnado. Pra integridade física dos atores-músicos-bailarinos-ginastas-malabaristas-equilibristas, aconselho que retornem em 2010 com outra montagem. Quem sabe, Alegria.



Escrito por Rafael Carvalheira às 13h03
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Jogar pra torcida

No início do mês o Ministério do Esporte organizou em São Paulo o primeiro Seminário Nacional de Torcidas Organizadas, com líderes de 65 torcidas organizadas do Brasil. Seguem relacionadas abaixo algumas. Gravem bem os nomes:

- Ira Jovem (Vasco)

- Fúria Jovem (Botafogo)

- Pavilhão Nove (Corinthians)

- Fúria Independente (Guarani)

- Máfia Azul (Cruzeiro)

- Máfia Tricolor (Grêmio)

- Comando Vermelho (Internacional)

- Fúria Independente (Paraná)

- Guerrilha Jovem (Criciúma)

- Máfia Atleticana (Atlético-GO)

- Terror Tricolor (Bahia)

- Inferno Coral (Santa Cruz)

 - Gang da Ilha (Sport)

- Brigada Alvinegra (Ceará)

- Pavilhão 6 (Remo)

- Ira Jovem do Paysandu

Quando não no nome, as associações mais variadas à violência vêm representadas nos símbolos e escudos das organizadas. Basta conferir no Portal das Torcidas Organizadas (www.organizadasbrasil.com).

Palavras do ministro Orlando Silva: “Acredito que ninguém tem mais interesse do que as torcidas de expressar o seu amor pelo seu time. Isto inclui uma espécie de pacto em torno da paz nos estádios e o fortalecimento do futebol

Palavras do representante das torcidas, Valter “Magrão” Luís: “As torcidas não são inimigas, são rivais

Palavras do ministro interino da Justiça, Luis Paulo Barreto: “É importante as torcidas serem ouvidas e ouvirem o que o Governo tem a dizer”

E sabem o que as torcidas organizadas tinham a dizer? Questionaram a proibição da entrada de bambus nos estádios e pediram alteração do artigo de um projeto de lei da câmara que responsabiliza civilmente a torcida organizada pelos danos causados por qualquer um dos seus membros ou associados.

Por que motivo tratar como torcedor quem está preocupado em não ser responsabilizado civilmente pelos atos de seus integrantes? O pedido já constitui quase uma confissão.

Em vez de literalmente jogar para as torcidas (organizadas), o ministro deveria se preocupar em aparelhar o Estado para prevenir, vigiar, educar e punir com rigor. Porque os amantes de verdade do esporte não precisam de seminário para aprender a cobrar direitos, a cumprir deveres ou a torcer ordeiramente.



Escrito por Rafael Carvalheira às 23h36
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Senador, conselheiro e torcedor

O senador Jarbas Vasconcelos levantou às 6h30 do domingo após uma noite mal dormida. Na residência do Janga, iniciou o dia consultando jornais do mundo inteiro pela internet.

Leu no Kyodo News que um grupo de oposição no Japão pedia a queda do imperador Akihito, insatisfeito com a incompetência das autoridades locais em administrar as consequências de um terremoto.

Conferiu com atenção a manchete do Le Monde. Os oposicionista queriam a cabeça de Nicolas Sarkozy por conta do desemprego crônico entre os descendentes de imigrantes muçulmanos na França.

Ainda passeando o olhar pelos periódicos da Europa, baixou a página do inglês The Times. Crise forte no parlamento e requerimento de renúncia de Gordon Brown estampado na primeira página.

Não podia deixar de conferir as boas novas da Terrinha. Segundo o Portugal Diário, o clamor da oposição era pela saída do primeiro ministro José Sócrates. Nada de mais grave. Oposição pela oposição.

Atravessou o Atlântico e desembarcou nos Estados Unidos. Na Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger tem problemas graves com impostos e sofre forte pressão da população.

Desceu para o México. Encontrou no Diário de México acusações graves contra o presidente Felipe Calderón. Descaso com os santuários pré-colombianos forçaria um processo de impeachment?

Passou à América Central. Honduras, prioridade. O destaque do Honduras This Week era para a precoce insatisfação com o governo provisório. Ninguém foi eleito. Mas situação e oposição já pediam a renúncia do futuro presidente.

Veio para mais perto. Ali do lado, na Argentina. O Clarim explicava que a falta de manejo do sistema público de saúde para cuidar do surto de gripe suína ameaçava arrancar Cristina Kirchner do poder.

O senador já se sentia atualizado sobre o mundo. Caminhou na praia pela manhã. Tirou um cochilo depois do almoço e se preparou para assistir ao jogo do Sport contra o Avaí na Ilha do Retiro.

Chegou em cima da hora e encontrou dificuldades na fila do elevador que dava nos camarotes. Conseguiu se acomodar com a partida em andamento. A qualidade técnica ou a falta dela ninou alguns minutos de sono.

Voltou para casa com o 3x1 doendo na cabeça. Longe do Senado por conta do recesso, já sem cargo ou voz nos assuntos do Governo do Estado, lembrou que era conselheiro do Sport.

Associou o resultado negativo do time ao terremoto no Japão, ao desemprego de imigrantes na França, à crise do parlamento inglês, à oposição pela oposição em Portugal, às dificuldades com o imposto na Califórnia, ao descaso com os templos no México, ao golpe em Honduras e ao surto de gripe suína da Argentina.

Fez algumas ligações e adormeceu. Despertou na segunda-feira e reiniciou a rotina. Desta vez, foi direto ao Blog do Torcedor. Leu que o seu apelo de renúncia ao recém-empossado presidente Sílvio Guimarães ganhara destaque. Agora estava devidamente integrado à tendência mundial.

O presidente rubro-negro entendeu o torcedor Jarbas Vasconcelos. Respondeu de forma comedida. Sabe que os senadores terminam o recesso no dia 3 de agosto, quando tiro ao Lula também voltará a ser o esporte predileto do, novamente, senador.



Escrito por Rafael Carvalheira às 15h28
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